quarta-feira, 21 de abril de 2010

Tiradentes


Todo mundo sabe que Tiradentes existiu. As mais diversas interpretações ao nome são dadas. O mais importante é saber o que ele foi, na história do Brasil. José Joaquim da Silva Xavier ‘O Patriota Brasileiro’, nasceu em Minas Gerais em 1746 e morreu em 1792. Era Alferes no Regimento da Cavalaria Regular. Caráter ardente, entusiasta, entrou no movimento da Conjuração Mineira, nome pelo qual ficou conhecida, na História do Brasil, uma conspiração urdida em 1789, na Capitania de Minas para proclamar a Independência e a República do Brasil. Os primeiros chefes eram Alvarenga Peixoto, Cláudio Manoel da Costa, José Alves Maciel, Silva Xavier, o Tiradentes. Em viagem ao Rio de Janeiro, foi preso e condenado à morte com os outros conjurados, mas, enquanto a pena destes era comutada em degredo, o Tiradentes foi enforcado em 21 de abril de 1792 em meio a manifestações entusiásticas. Tiradentes foi o único que subiu ao patíbulo, tendo o companheiro Cláudio Manoel da Costa, se suicidado na prisão.

Conjurar significa tramar uma conspiração. A Inconfidência Mineira, nome pelo qual também foi conhecida a conspiração, pela falta de lealdade e de fidelidade que julgavam ser os do poder, foi o primeiro grande movimento, 30 anos antes, responsável pelo grito de ‘Independência ou Morte’, proferido por Pedro I, às margens do Rio Ypiranga, em 1822.

De tal modo a ação de Tiradentes foi considerada heróica, que, até hoje, 212 anos após, o dia de sua morte é considerado feriado nacional, conhecido como o Dia de Tiradentes, e respeitado. Sua história é revelada aos alunos dos cursos ginasiais para que tenham idéia do que representou a sua ação, junto aos companheiros da Conjuração Mineira. Ele foi responsável pelos primeiros gritos de liberdade para o povo brasileiro.

José Joaquim da Silva Xavier teve erguida uma estátua no Rio de Janeiro, no local onde se encontrava a sua prisão, defronte do Palácio da Câmara dos Deputados, que passou a ter o seu nome. É designação de cidade e município de Minas Gerais.

Estamos desacostumados a ter heróis como Tiradentes, reverenciados por todo o País. Até um Frei Caneca, herói pernambucano, arcabuzado nas cercanias do Forte de Cinco Pontas, e de tantos predicados e virtudes quanto às de Tiradentes, é reduzido a uma herma, constituída de cabeça, pescoço e parte do tronco, praticamente escondida do povo, junto aos muros do forte. Os outros heróis como Henrique Dias, Felipe Camarão e Vidal de Negreiros, da Guerra dos Holandeses, são relembrados por figuras esculpidas por Abelardo da Hora, nos desvãos da Avenida Sul.

Que o Dia de Tiradentes, 21 de abril, seja perpetuado como merece ser, e que não corra o perigo de ser substituído pelo dia em que um Brazão, um Kuki ou um Ciro, sejam considerados heróis do ‘balípodo’, como o saudoso Mário Melo queria que fosse chamado o futebol.

Reinaldo de Oliveira

Fonte: Folha de PE

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