sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Crise na Líbia e o Brasil - II


Parte da grande imprensa nacional tem criticado a abstenção do Brasil, na ONU, contrária à ação armada desfechada pela Otan, União Européia e EUA na Líbia, visando remover Muammar Khaddafi do comando da nação africana. A decisão, pela abstenção, foi referendada, também, pela Alemanha, Rússia, China e Índia, nações reconhecidamente importantes no concerto internacional, porém as críticas à diplomacia brasileira continuam frequentes em alguns dos nossos veículos de comunicação.

O posicionamento brasileiro, a nosso ver, não deveria ser interpretado como uma expressão característica de omissão diante de um regime político opressor, instalado há décadas naquela nação, porém pela busca de uma solução conciliatória, sem perda de vidas, aliada, ainda, à prevalência dos princípios de não-intervenção nos assuntos internos de outros países.

Em reforço à defesa da não omissão do País diante de assuntos relevantes de natureza internacional, é suficiente referir a presença de tropas brasileiras, desde 2004, no Haiti, as quais têm garantido a paz naquele país do Caribe custando ao Tesouro algo superior a 1 R$ bilhão, embora com o meritório objetivo de preservar a paz em uma nação pobre e que esteve envolvida em conflitos internos sangrentos.

Quanto ao momento atual, há que considerar que data de alguns anos a aproximação das relações comerciais entre o Brasil e a Líbia, mesmo quando Khaddafi era acusado como responsável principal por condenáveis atentados terroristas. Entre estes, a explosão e queda em Lockerbie, na Escócia, de uma aeronave comercial da Panam, resultando em 280 mortos, dos quais 169 eram norte-americanos; de um avião da UTA, na Nigéria, causando 170 vítimas mortais, além de outro, francês, abatido no deserto em 1989.

Antes houve ações armadas dos EUA, na medida em que as relações com o governo de Trípoli se deterioraram, tendo o ex-presidente Ronald Reagan autorizado o bombardeio de alvos militares na Líbia, morrendo 130 líbios, inclusive, atingindo o palácio do governo, em que perdeu a vida uma filha adotiva de Muammar Kadafi. Outros confrontos, de natureza semelhante, aconteceram entre as duas nações, sendo o governo líbio acusado de terrorismo internacional.

Retomando as relações Brasil/Líbia, em passado recente, mais precisamente em 2000, o então senador Ney Suassuna (PMDB-PB), presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, recebeu uma delegação oficial do governo líbio em seu gabinete, que lhe revelou haver interesse na importação de açúcar, café, arroz e grãos brasileiros. Em troca, o Brasil importaria petróleo daquele país, concretizando-se acordos bilaterais nas áreas de saúde e educação.

Mais tarde, em 2009, o vice-primeiro-ministro líbio Imbarek Al-Shamik recebeu em Trípoli o então ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, informando-o que a Líbia pretendia investir US$ 500 milhões na América Latina, a maior parte desse total no Brasil. Da comitiva governamental brasileira participaram 92 empresários vinculados a dez setores econômicos diversos.

A corrente de comércio exportador/importador continua funcionando entre o Brasil e a Líbia, o que entendemos ser mais um motivo para justificar a abstenção do nosso país na decisão de usar força armada contra o governo discricionário de Kadhafi, pela ONU e, no caso do seu provável afastamento, continuarmos mantendo relações normais de comércio exterior com aquela nação.

Fonte: Folha de PE

1 Comentário:

Tsunami disse...

Otimo Post.

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