quarta-feira, 24 de agosto de 2011

A crise política na Líbia - I


O noticiário internacional sinaliza que o dirigente máximo líbio, Muammar Kadhafi, está prestes a deixar o governo diante do cerco imposto a Trípoli, capital do país, nos últimos dias, pelos rebeldes oposicionistas. Seria o fim do chefe militar que comanda a nação desde 1969, ao liderar um movimento contra a monarquia (rei Idris), juntamente com mais 11 coronéis, que criaram a República Árabe da Líbia.

A deposição do chefe de Estado líbio não constitui um fato surpreendente, pois, vêm se sucedendo, naquela região africana, o afastamento compulsório de antigos líderes, como na Tunísia e Egito, que se eternizavam no poder, exercendo prerrogativas discricionárias.

O passado da Líbia remonta aos tempos antigos quando era um assentamento de povos tão díspares quanto os fenícios, romanos e turcos, sendo que sua denominação originou-se de colonos gregos no século II antes da era cristã. No decorrer dos anos, o Império Romano e outros povos dominaram a Líbia.
Na I Guerra Mundial, os italianos a incorporaram ao reino da Itália, em 1939. Na II Guerra Mundial, travaram-se batalhas cruciais no território líbio entre o “Afrikakorps”, do general alemão Rommel, e as tropas inglesas. Findo o conflito, os britânicos controlaram a Cirenaica e a Tripolitânia, enquanto a França administrava a região de Fezã.

Somente em 1952, a ONU aprovou a independência da Líbia, reunindo os diversos territórios em um Estado federal monárquico, apoiado por famílias turco-libanesas residentes nos EUA e Reino Unido. Em 1953 e 1954, instalaram-se bases militares estrangeiras, com tropas norte-americanas e inglesas estacionadas no país.

A descoberta de jazidas (a 9ª do mundo) de petróleo, em 1961, levou o governo líbio a exigir a retirada das forças militares da nação. Ascende, então, em 1966, a corrente militar nacionalista que derrubou a monarquia, assumindo o poder Muammar Khadafi, em 1969, sem derramamento de sangue. Eram oficiais radicais islâmicos, que instituíram um governo islâmico, nasserista e socialista não marxista.

O novo governo impôs severos controles sobre as atividades de empresas transnacionais petrolíferas na década de 60. Decretou, também, a nacionalização daquelas empresas, dos bancos e dos recursos petrolíferos, melhorando as condições de vida da população, mesmo sob acusações de alianças espúrias e privilégios familiares. Distribuiu terras (10 hectares para cada família), tratores, ferramentas, realizando a irrigação em 2 milhões de hectares de regiões desérticas, perfurando cerca de 1.500 poços artesianos. Construiu, depois, uma grande rede de aquedutos para distribuir água aos líbios residentes no deserto. Instituiu, ainda, a previdência social e assistência médica gratuita, e 25% de participação nos lucros das empresas para os trabalhadores, mantendo-se afastado do capitalismo e do marxismo.

Em cinco anos, a Líbia deixou de ser o país mais pobre do norte da África, passando a ter grande renda per capita (US$ 4 mil) para os padrões do continente.
Na atual crise política, o Brasil, Alemanha, China, Rússia e Índia se abstiveram de votar o uso da força na Líbia, proposta pelo Conselho de Segurança da ONU em março deste ano, a qual foi aprovada com o voto de dez nações. Em linhas gerais, o desgaste do regime autoritário líbio indica a provável derrota política e militar de Muammar Khadafi, provavelmente, no curto prazo.

Fonte: Folha de PE

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