segunda-feira, 21 de março de 2011

O preconceito ainda existe


Uma alteração genética que compromete os elementos cognitivos e motores de algumas pessoas. No Brasil, ela representa cerca de 1,66% da po­pulação, o que equivale a 316 mil pessoas. Apesar de ser rara, e desencadear seque­las nos portadores que dificultam na interação social, a Síndrome de Down convive ain­da, com as mazelas do pre­­conceito social existente. Comemorando hoje o Dia Internacional da Síndrome de Down, o assunto é na atualidade um tema vivo que merece maior discussão para o rompimento de paradigmas que a sociedade incutiu, negativamente, ao longo dos anos.

Mas, afinal, o preconceito instaurado em boa parte da população quanto aos portadores de Down está ligado à falta de conhecimento sobre o assunto? Para a médica-geneticista Paula Arruda, o desconhecimento da Síndrome ainda é um dos grandes aliados para a crendice popular contra os portadores. “O preconceito com eles se dá porque as crianças com Down têm problemas com retardo cognitivo e motor. Então, as pessoas associaram esse retardo à loucura. Como os loucos não são bem vistos pela sociedade, há essa associação e o preconceito. Mas falta informação”, destacou a médica, que trabalha há mais de 20 anos nessa área.

Ainda de acordo com Paula, como a Síndrome pode afetar todas as classes sociais, raças, gêneros e idades, o importante é que a sociedade discuta mais sobre o tema para encarar com naturalidade uma possível experiência na família. Uma vez diagnosticada, a existência de um membro da família com a Síndrome, segundo Paula, necessário se faz haver um empenho maior dos mesmos. “Os pais precisam estar com a autoestima elevada e trabalhar o lado cognitivo e motor das crianças desde cedo. Se não trabalhados esses fatores, a família pode se perder na educação das crianças, fazendo com que elas adotem comportamentos que sejam taxados como loucos”, pontuou.

Pai da pequena Ayla Beatrice, de apenas um ano e sete meses, portadora da Síndrome de Down, o professor Adalberto Tavares da Silva, 43, explica que, somado à falta de conhecimento da população sobre a problemática, a falta de políticas públicas de saúde ainda prejudica muito as famílias. “Uma coisa muito importante é a construção de políticas públicas que ajudem as crianças com Down. Essas políticas ainda são muito incipientes. Existem ainda muitos profissionais despreparados para atender essas a crianças”.

A falta desse conhecimento, segundo Adalberto, já acarretou situações constrangedoras e preconceituosas para ele e a sua esposa. “Uma vez, uma pessoa perguntou a outra se a Down ‘pegava’. Em outra ocasião, perguntaram o que minha esposa tinha feito para isso acontecer”.

Atualmente, a Associação Novo Rumo, entidade sem fins lucrativos, atende crianças entre zero a dez anos. Lá, diversos profissionais da área de saúde trabalham com crianças portadoras da Síndrome no sentido de despertar o estímulo do lado cog­nitivo (atenção, percepção, memória, raciocínio, juízo e imaginação) e motor (articulação).

Saiba mais

A Síndrome de Down surgiu em 1866 pelo médico inglês John Langdon Haydon Down. Em seus estudos científicos, John descreveu as características da alteração genética, que vulgarmente ficou conhecida como mongolismo, em alusão à população da Mongólia (Ásia). Os estudos elaborados pelo médico, mais tarde, em 1959, foi aprofundado por Jérôme Lejeume. A esse cientista francês é dado os méritos pelos seus estudos associando a causa da Sín­drome a fatores genéticos.

Na mudança dos cromos­somos se dá por problemas genéticos que cercam o indivíduo durante sua formação genética. Sua existência está associada às altera­ções nos pares de cromossomos existentes nas células embrionárias. Ou seja, após a fecundação do esper­mato­zoide masculino, são depositados 23 pares de cromossomos no óvulo feminino, que, por sua vez, também produz 23 pares. Ao final, o DNA da criança se constituirá de 46 pares de cromossomos. No caso do portador da Síndrome, ao todo, são verificados 47 pares.

Fonte: Folha de PE

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