quarta-feira, 8 de julho de 2009

Mestre Vitalino


Vitalino Pereira dos Santos nasceu no dia 10 de julho de 1909, no Sítio Campos, em Caruaru, Pernambuco. Morava no Alto do Moura, uma vila a cerca de seis quilômetros de distância de Caruaru.

Filho de lavradores, iniciou-se com apenas 6 anos (1915) na arte do artesanato de barro. Como toda criança fazia bichinhos - boi, cavalo, bode - com as sobras do barro usadas por sua mãe que era louceira, designação dadas às mulheres que faziam utensílios domésticos de barro. Chamava a esta produção de loiça de brincadeira. Vitalino passou da loiça de brincadeira para as cerâmica figurativa com a peça Caçador de onça: um gato maracajá trepado numa árvore, acuado por um cachorro e o caçador fazendo pontaria, que foi vendida na Feira de Caruaru.

Dono de um grande talento musical, aprendeu a tocar pífano (espécie de flauta sem claves e com 7 furos) e com apenas 15 anos montou sua própria banda, a Zabumba Vitalino.

Inspirado no folclore nordestino, com um estilo figurativo, universalizou com a sua marca pessoal o cotidiano do homem sertanejo. As suas obras registram o cenário rural e também urbano onde ocorrem: Cortejo nupcial, Casamento no mato, Enterro na rede, Enterro no carro de boi, Boi transportando cana, a Vaquejada, o Vaqueiro que virou cachorro, A luta do homem com o Lubishome, Boi transportando o vivo e o morto, Lampião a pé, Lampião e Maria Bonita. A organização social do sertão também aparece na sua obra, através da representação da família solidária: Agricultor voltando da roça com a família, Retirantes. Na esfera do urbano aparecem o dentista, o fotógrafo, o trem a vapor, a PRA-8, a operação, o advogado, a costureira. Há também a série Vitalino ceramista, um auto-retrato: Vitalino cavando barro, Vitalino trabalhando, Vitalino queimando a loiça, Vitalino e Manuel carregando a loiça. Vitalino executava também ex-votos, segundo depoimentos dos seus contemporâneos Zé Caboclo e Zé Rodrigues.

O material que ele usava para a suas peças era o massapê, que retirava da vazante do rio Ipojuca e transportava em balaios para casa. O barro era molhado e deixado em depósito por dois dias para ser curtido, sendo então amassado e modelado. As peças eram cozidas em forno circular, construído ao ar livre, atrás da casa.

No início a aplicação da cor nos bonecos era feita com barro de diferente tons - tauá, vermelho, branco. Depois Vitalino passou a usar produtos industriais na pintura dos seus bonecos. As peças da primeira fase, não possuiam marca de autoria. Posteriormente o artista passou a assinalar com lápis e "tinta preta as iniciais V.P.S, no reverso da base dos grandes grupos" e a partir de 1947 começou a utilizar o carimbo, também de barro, com as mesmas iniciais V.P.S, adotando em 1949 o seu nome de batismo.

Foi o artista plástico Augusto Rodrigues quem revelou o trabalho de Vitalino para o resto do País, organizando em 1945 sua primeira exposição no Rio de Janeiro. Ainda em vida fez uma doação de 250 peças ao Museu de Arte Popular de Caruaru, atendendo solicitação da prefeitura da cidade.

Morreu pobre, esquecido e sem auxílio do Estado, vítima de varíola, no dia 20 de janeiro de 1963.

Após sua morte foi inaugurada, no Alto do Moura, a Casa Museu Mestre Vitalino, onde estão expostas as suas principais peças. Sua produção é estimada em cerca de 130 peças, que são cuidadosamente reproduzidas pela família. Hoje os seus trabalhos mais valorizados são os da primeira fase de sua obra, em especial aqueles em que os olhos do bonecos são vazados e não pintados. Os seus filhos, netos e bisnetos continuam o seu trabalho até hoje.

A produção do mestre Vitalino encontra-se bem representada no Museu do Homem do Nordeste da Fundação Joaquim Nabuco.

Fonte : Fundação Joaquim Nabuco

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