domingo, 24 de maio de 2009

Cadê meu troco?


Cena um: o cliente entra na farmácia para comprar um remédio fracionado que custa R$ 1,94. Na hora de pagar, entrega R$ 1,90 ao caixa, que prontamente pergunta se ele tem mais dez centavos. Após pegar a moedinha, o rapaz bate a gaveta do caixa, vira-se e começa a atender a próxima pessoa da fila.

Você notou alguma coisa estranha nesta narração? O engenheiro Paulo Ivo Araújo percebeu. "Cadê meu troco?", perguntou. "Ele simplesmente se virou e começou a atender o próximo. Eu dei os dez centavos pensando que isso talvez facilitasse. Mas dei dois reais e não recebi meu troco, nem explicação. Fiquei tão revoltado com a atitude, que anunciei em voz alta: Ah, você não tem troco? Pois eu vou levar isso aqui como troco!", conta Paulo Ivo, que pegou o primeiro item que viu na farmácia - no caso, um shampoo - e saiu indignado, dizendo que o balconista poderia até chamar a polícia. Para ele, o que mais revoltou foi a falta de consideração do vendedor, quesequer informou a dificuldade para o troco.

Os seis centavos devidos ao engenheiro podem parecer pouco, se contabilizados isoladamente. No entanto, se calcularmos quantos poucos centavos deixamos em cada compra, veremos que não são tão irrisórios assim. Quem faz essa comparação é a educadora financeira Isalva Accioly. "As pessoas pensam que um centavo não vale nada, mas para fazer as moedinhas o país gasta bastante. Para ter uma ideia, o Banco Central gasta cerca de R$ 0,15 para fazer uma moeda de R$ 0,10. Fora que, se o estabelecimento ficar com alguns centavos de cada cliente, haverá uma boa diferença no caixa", calcula.

Isalva tem um exemplo contado por uma aluna que trabalha numa loja de bairro no Recife e diz que há dias em que a diferença chega a R$ 45 para mais no caixa, apenas com os trocos que não são pagos aos clientes - na maioria das vezes porque não há moedas disponíveis. "Fazer questão de centavos na hora da compra não é comum no Brasil. É uma questão cultural. As pessoas não pensam que as moedinhas têm valor. Outra coisa comum no comércio é a aceitação de bombons e chicletes em vez de dinheiro. Está errado, porque se você chegar com o chiclete de volta, o vendedor não vai vender nada para você", diz.

O funcionário da Assembleia Legislativa de Pernambuco Paulo Barbosa é uma dessas pessoas que não gosta, mas também não rejeita esse troco "alternativo". Ele costuma juntar até R$ 5 por dia em moedas, que normalmente entrega para os filhos colocarem num cofrinho. "Sempre tenho algumas moedas comigo, apesar de achar incômodo carregar. Quando não tem jeito, aceito bombom em vez de dinheiro", confessa, para reclamar, em seguida: "moeda de um centavo praticamente não existe. Se alguma coisa estiver por R$ 1,98, por exemplo, para mim é o mesmo que R$ 2".

Uma solução apontada por Isalva Accioly como oportuna para não deixar de receber o troco na hora da compra, é optar pelo cartão de débito. Ela reconhece, entretanto, que não é possível usar o débito em todos os lugares. "Tem gente também que não tem cartãoou não gosta de usar, porque perde o controle sobre os gastos", conta, para completar: "já conheci pessoas que jogavam fora moedas de um centavo. O ideal seria se todo mundo andasse com uma bolsinha para carregar as moedas. Eu, por exemplo, ando com duas: uma para as de cinco e dez centavos e outra para as de maior valor".

Fonte: Diario de PE

2 Comentários:

Maguillasan disse...

Nos mercados de minha cidade,este tipo de situação sempre acontece.Se faltar você não leva o produto,se sobrar alguns centavos,não nos dão qualquer satisfação,infelizmente.

alcb disse...

A culpa na verdade é nossa por não mudar o hábito no país de deixar o troco para o caixa, em Portugal acontece o contrário, ninguem quer perder nenhum centavo.

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