quarta-feira, 25 de maio de 2011

A “Norma” inculta da Língua


Ainda que pareça incrível, é do Ministério da Educação, ou pelo menos com sua chancela, a publicação de um livro que ensina a escrever errado. Até o seu surgimento, o ensino da Língua Portuguesa nos estabelecimentos de ensino, públicos e particulares, e mesmo na educação dentro de casa, era no sentido de ensinar os jovens a ortografia, ou seja, etimologicamente, o escrever certo. Era o trabalho dos professores, inclusive os familiares que alfabetizavam os mais novos, o de ensinar a “norma culta”. Com isto, evitavam-se, mesmo na linguagem coloquial, certos vícios que demonstram o desconhecimento do escrever certo.

Todo este cuidado, com as crianças em idade escolar e pré-escolar e com os adultos em alfabetização tardia, começa a desmoronar com a nova orientação (não confessada, porém realizada) do Ministério da Educação que surge em livro didático que ensina a escrever errado. Que assegura estarem certas as formas de grafar “os livro” ou “nós pega o peixe”, mandando as regras de concordância para o espaço.

A coisa é mais séria do que se pensa, pois a transcrever o exemplo “os livro”, o corretor ortográfico do processador de texto acusou logo que a concordância estava errada e propôs a sua correção. Se fosse no prédio do MEC já se estaria providenciando uma licitação para substituí-lo, agora por um que aceitasse o erro como acerto.

Coitados dos jovens que caírem na armadilha de estudar por um livro desses e partir para as respostas a questões de concursos, como os vestibulares, aqueles realizados para o provimento de cargos públicos ou, ainda, no escrever para uma empresa privada apresentando suas propostas salariais e profissionais para um emprego. O resultado funesto causará surpresa para quem estudou em livro do jaez daquele a que está na mira deste artigo.

Hitler falava, nos anos 1930, em povos criadores de cultura, conservadores de cultura e destruidores de cultura, nesta ultima categoria colocando os inimigos do nazismo, como os judeus e os ciganos. No passo que vai, o povo brasileiro passará a ser incluído na categoria dos destruidores de cultura, mesmo que aqueles outros não o tenham sido.

Não é apenas o exemplo do livro escrito com base na “norma inculta”, porém isto se agrega ao movimento do mesmo grupo, há alguns meses, de querer proibir livro de Monteiro Lobato, que foi lido por inúmeras gerações de brasileiros.

Pois é: ao atender a uma queixa feita pela Secretaria de Promoção da Igualdade Racial, o Conselho Nacional de Educação do MEC decidiu, em parecer da professora Nilma Lino Gomes (UFMG), que o livro “Caçadas de Pedrinho”, de Monteiro Lobato, lançado no longínquo ano de 1933 do século passado (ou seja, há quase 80 anos) é racista e deve ser banido das escolas.

Tia Nastácia não tem mais o direito de ser uma “negra de alma branca”, pois que este entendimento é politicamente incorreto, e tem substrato racista, e deve ser banido do entendimento dos 190 milhões de brasileiros.

A proposta aprovada pelo Conselho Nacional de Educação do MEC foi repudiada pela Academia Brasileira de Letras, ao sugerir que os “professores e formuladores de política educacional deveriam ler a obra e se familiarizar com ela”. Também a OAB, pelo seu presidente nacional, sugeriu que o Ministério da Educação revisse o parecer que recomendou restrições à distribuição do livro em escolas públicas.

Palhares Moreira Reis

Fonte: Folha de PE

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