quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Campanha quer incentivar denúncias de corrupção




O Movimento do Ministério Público Democrático (MPD) está promovendo a campanha “Não Aceito Corrupção”, que busca envolver a população e incentivar a denúncia de casos de corrupção em todas as esferas da sociedade. “O propósito é muito mais amplo. Queremos mudar a cultura de combate à corrupção de cada cidadão”, explica o coordenador da campanha, Roberto Livianu.

"Esta campanha pretende fazer um alerta a todos os brasileiros, chamando-os a atuar mais democraticamente e exercer seu direito de cidadão, com ênfase na devastação social que a corrupção produz e continuará a produzir se nada fizermos", afirma Livianu.

O processo para qualquer cidadão é simples: as denúncias referentes à corrupção devem ser realizadas no site especificamente criado para a campanha e encaminhadas a cada um dos Ministérios Públicos Estaduais. A identificação não é obrigatória e a gestão das informações recebidas caberá ao Ministério Público destinatário.

Em ano eleitoral, que já contou com a instauração da CPI contra o bicheiro Carlinhos Cachoeira e o julgamento do Mensalão, o objetivo do MPD é levar uma mensagem impactante sobre os males e os impactos da corrupção no Brasil, que podem ser conferidos nos dois vídeos da campanha.

Composta por dois filmes para TV e cinema, anúncios de jornal, spots de rádio, banners de internet e mensagens em aeroportos, a campanha é veiculada em todo o país.

Em um dos filmes, intitulado "Bebê", um bebê saudável tem todas as suas vestes e pertences retirados e acaba no chão de uma rua movimentada, sem nada e ninguém para ajudá-lo. Já o outro filme, denominado "Mãos", mostra como a corrupção impacta as pessoas comuns, mostrando uma criança indignada, jogando baldes de água nos corruptos.

Segundo Augusto Diegues, diretor da Flag Comunicação, idealizadora dos vídeos, o maior desafio de campanhas como esta é ativar a capacidade de indignação das pessoas.

"Infelizmente, as pessoas parecem anestesiadas pelo aparente tom de normalidade que o tema conquistou após décadas de escândalos. Nosso trabalho buscou sensibilizar a sociedade, de modo simples e direto, para o verdadeiro desastre causado pela corrupção", esclarece Diegues.

Segundo Livianu, a repercussão da campanha tem sido extraordinária. “Muitas pessoas têm tido acesso aos vídeos, que são bastante explicativos e impactantes. Assim, eles têm se multiplicado com grande rapidez e chegado a diversos estados no país”, afirmou.

A internet tem sido cada vez mais utilizada para criar mecanismos de denúncias de fácil manejo para a população. Antigamente, denunciar pagamentos de propina passava por instâncias como repartições públicas, longos processos jurídicos, caros advogados e dezenas de formulários e carimbos.

Hoje, com um email, alguns cliques ou uma mensagem de texto, é possível em poucos segundos fazer denúncias de todo o tipo também em outros sites como I Paid a Bribe (“Eu paguei propina”,www.ipaidabribe.com), a plataforma que produz mapas Ushahidi (www.ushahidi.com) e o próprio Contas Abertas, que recebe e investiga suspeitas de irregularidades e denúncias de corrupção no governo.

No Contas Abertas, muitas das demandas vêm de acadêmicos e jornalistas, mas há uma crescente participação por parte do cidadão comum, que cada vez mais quer monitorar contas de sua prefeitura. Livianu também destaca o recorrente aumento das denúncias, principalmente com a participação da população mais jovem.

“Ficamos sabendo de um caso extremo de retorno aos nossos vídeos. Uma criança de sete anos, moradora de Curitiba, chamou a atenção pai ao questionar se a corrupção “matava crianças”. Ela concluiu que isso era muito ruim para o mundo”, conta.

“A juventude está mudando as táticas do ativismo anticorrupção. Eles trazem consigo um incrível entusiasmo por tecnologias móveis e novas mídias, como vídeos”, disse Heather Leson, uma das diretoras da Ushahidi, à BBC Brasil. “Esses jovens ativistas agora atuam e compartilham, ininterruptamente, em redes sociais. Assim, eles não precisam mais usar arquivos em PDF de 50 páginas para lutar contra a corrupção. Estão livres disso”, concluiu.

É justamente esse fortalecimento do cidadão comum o principal trunfo da plataforma Ushahidi, de que ela é diretora. O projeto foi criado como resposta ao caos que tomou conta do Quênia após as eleições de 2008. Um mapa com os focos de violência no país foi criado com base nas informações enviadas pela população, via telefone, SMS ou e-mail.

Fonte: Veja

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